AMC coloca Robinhood sob pressão sobre tokens de ações
O presidente executivo da AMC, Adam Aron, afirma que a empresa não tem qualquer ligação com os tokens de ações da Robinhood. O debate toca nos limites jurídicos da tokenização de ações e ETF’s.

Pontos principais
- O presidente executivo da AMC, Adam Aron, afirma que a AMC não tem qualquer ligação com os tokens de ações da Robinhood.
- A Robinhood aposta fortemente na tokenização e está a trabalhar numa blockchain própria para ativos tokenizados.
- Críticas anteriores da OpenAI e novos títulos tokenizados mostram que os limites jurídicos ainda são pouco claros.
O presidente executivo da AMC, Adam Aron, pronunciou-se contra os tokens de ações da Robinhood e afirma que a sua empresa não tem qualquer ligação com esses produtos. Com isso, volta a surgir a questão de até onde pode ir a tokenização de ações quando a empresa envolvida não participa nela ou não lhe dá aprovação.
Robinhood aposta na tokenização
A Robinhood colocou a tokenização no centro da sua expansão em criptomoedas nos últimos tempos. A corretora lançou no ano passado tokens que seguem centenas de ações norte-americanas e ETF's e está, em simultâneo, a trabalhar numa blockchain própria para apoiar ativos tokenizados.
Essa abordagem enquadra-se numa tendência mais ampla em que os instrumentos de investimento tradicionais são cada vez mais trazidos para a blockchain. O fundador e CEO da Robinhood, Vlad Tenev, afirmou em abril de 2026 que está em curso um superciclo de tokenização, deixando claro que a empresa quer entrelaçar ainda mais a blockchain com produtos financeiros clássicos.
Críticas anteriores aos tokens
As críticas da AMC não surgem isoladamente. A OpenAI distanciou-se publicamente, no ano passado, de tokens da Robinhood associados à empresa privada. Segundo a OpenAI, esses tokens não eram ações da OpenAI e a empresa não tinha colaborado com, nem concordado com, a oferta da Robinhood. Na altura, a Robinhood afirmou que os tokens ofereciam exposição indireta através de um veículo de propósito específico.
Também em julho de 2026 surgiram novos exemplos de ações tokenizadas no mercado. A Ondo Finance e a Broadridge Financial Solutions lançaram então os primeiros títulos tokenizados em custódia nos EUA, incluindo uma versão tokenizada do ETF iShares Core S&P 500 da BlackRock e ações da Micron Technology. Isto mostra que o mercado de títulos tokenizados está a crescer rapidamente, mas também que os limites jurídicos e comerciais ainda não estão claramente definidos em todo o lado.
Para quem quiser acompanhar o mercado mais amplo: a ascensão de RWA e tokenização mostra que isto não se trata apenas de experiências isoladas, mas de um setor que em 2026 está a atrair cada vez mais capital e atenção.
Porque é que isto é relevante
Para os leitores europeus de criptomoedas, isto é relevante porque a tokenização está cada vez mais a servir de ponte entre as criptomoedas e os mercados tradicionais. Se as empresas se pronunciarem contra produtos que usam o seu nome, isso pode influenciar a forma como os prestadores estruturam a sua oferta e quão claros têm de ser sobre o que um token representa e o que não representa. Num mercado em que a Robinhood já lançou também uma blockchain própria, essa delimitação continua a ser um ponto importante para os reguladores e os investidores.