Catastrofebonds passam a onchain com investimento mínimo de 5.000 dólares
Harneys e droppRW querem registar a propriedade jurídica de catastrofebonds diretamente na blockchain. A primeira emissão poderá começar em 2027, com Bermuda e a supervisão como teste crucial.

Pontos principais
- Harneys e droppRW estão a trabalhar numa catastrofebond cuja propriedade jurídica será registada diretamente na blockchain.
- Numa primeira emissão no início de 2027, o investimento mínimo poderá descer para 5.000 dólares, face aos habituais patamares de 250.000 dólares ou mais.
- O projeto ainda aguarda aprovações, enquanto o mercado de catastrofebonds cresceu fortemente nos últimos anos.
Harneys e droppRW estão a trabalhar numa catastrofebond cuja propriedade será registada diretamente numa blockchain. Se o plano avançar, a primeira emissão deverá ocorrer no início de 2027 e o investimento mínimo poderá descer para 5.000 dólares (4.320 euros), muito abaixo do patamar habitual de 250.000 dólares (215.900 euros) ou mais.
O que é diferente
Catastrofebonds são produtos de seguro especializados que pagam em caso de grandes catástrofes, como um furacão ou um sismo. Em muitos projetos de tokenization, o token representa apenas um ativo mantido noutro local offchain, mas, segundo as partes envolvidas, aqui deverá ser diferente: a própria blockchain tornar-se-á então o registo jurídico de propriedade.
Edwin Mata, CEO e cofundador da empresa de tokenization Brickken, afirmou que a questão não é saber se uma catastrofebond pode tecnicamente ser colocada numa blockchain. Segundo ele, a questão central é saber se a blockchain também se torna efetivamente o comprovativo jurídico de propriedade. Só então a transferência do token significa também a transferência do direito jurídico.
Mata sublinhou também que a tokenization não altera os riscos subjacentes de catástrofe, os mecanismos de gatilho, a qualidade da garantia ou a avaliação. Segundo ele, uma emissão em tempo real com participação institucional e uma liquidação juridicamente definitiva terá de provar se este modelo funciona na prática.
Mercado cresce rapidamente
O momento é notável, porque o mercado de catastrofebonds cresceu fortemente nos últimos anos. No segundo trimestre de 2026, já havia, segundo os dados fornecidos, 11,3 mil milhões de dólares (9,8 mil milhões de euros) em novas emissões, distribuídos por 48 transações. Isso seguiu-se a um ano recorde de 2025, em que o mercado atingiu 25,6 mil milhões de dólares (22,1 mil milhões de euros) em emissões.
A primeira metade de 2026 também mostrou essa tendência, com mais de 17 mil milhões de dólares (14,7 mil milhões de euros) em emissões em 64 transações. A Bermuda Stock Exchange desempenhou aí um papel importante: em 2025, essa bolsa foi responsável por 93% da emissão global de catastrofebonds e, no final do segundo trimestre de 2026, estavam cotados 70,5 mil milhões de dólares (60,9 mil milhões de euros) em catastrofebonds e insurance-linked securities.
Porque é que isto é relevante
Para os seguidores europeus de criptomoedas, isto é sobretudo interessante porque a tokenization está cada vez mais a sair do conhecido universo cripto. Se um produto tradicional como uma catastrofebond puder mesmo ser emitido onchain com propriedade jurídica na blockchain, isso poderá mostrar até que ponto o mercado já avançou na digitalização de instrumentos de investimento. Isso enquadra-se num movimento mais amplo em que também grandes entidades financeiras trazem ações e liquidação para onchain, desde que os reguladores concordem.
Ao mesmo tempo, a vertente jurídica e de supervisão continua a ser determinante. O projeto ainda aguarda as aprovações necessárias e um eventual gestor da plataforma precisaria de uma licença ao abrigo da Digital Asset Business Act 2018 de Bermuda. Assim, 2027 será sobretudo um teste para saber se a camada jurídica, de settlement e de auditoria deste mercado também se mantém de pé onchain.