Recurso de Sam Bankman-Fried rejeitado, pena de 25 anos mantém-se
O tribunal federal de Nova Iorque mantém a condenação e a pena de 25 anos de prisão de Sam Bankman-Fried. A decisão confirma, mais uma vez, a dimensão da fraude da FTX e as consequências para o setor das criptomoedas.

Pontos principais
- Um tribunal federal em Nova Iorque rejeitou o recurso de Sam Bankman-Fried contra a sua condenação por fraude e a pena de 25 anos de prisão.
- O tribunal confirmou a sua condenação de 2023 por sete crimes, incluindo wire fraud e conspiração.
- O caso da FTX levou a perdas de mil milhões, a uma supervisão mais apertada sobre ativos digitais e a uma maior atenção à transparência e à conformidade.
A tentativa de Sam Bankman-Fried, fundador da agora falida FTX, de anular a sua condenação por fraude e a pena de prisão de 25 anos que lhe foi aplicada foi rejeitada por um tribunal federal em Nova Iorque. Com isto, chega ao fim um dos maiores casos de fraude financeira da história do mercado das criptomoedas.
Decisão do tribunal e consequências para Bankman-Fried
Em 12 de junho de 2026, um painel de três juízes do 2nd U.S. Circuit Court of Appeals, em Manhattan, recusou o recurso de Bankman-Fried. O tribunal confirmou a sua condenação de 2023 por sete crimes, incluindo wire fraud e conspiração. A defesa argumentou que a prova de que a FTX era solvente e podia satisfazer os levantamentos dos clientes tinha sido excluída indevidamente, mas o tribunal acompanhou os procuradores, que apresentaram, entre outros elementos, depoimentos de antigos funcionários. Estes mostraram que Bankman-Fried deu instruções para desviar fundos dos clientes para cobrir perdas na Alameda Research.
Contexto do caso e impacto no mercado das criptomoedas
Bankman-Fried foi considerado culpado em novembro de 2023, após menos de cinco horas de deliberação do júri. Na audiência de sentença, em março de 2024, o juiz descreveu a fraude como uma "aposta muito má", na qual Bankman-Fried assumiu o risco de não ser apanhado. Embora tenha admitido erros, negou ter tido intenção de roubar. O colapso da FTX em 2022, em parte provocado por problemas de liquidez após a queda da Terra-Luna, levou a perdas de mil milhões e reforçou a supervisão sobre ativos digitais. O escândalo evidenciou a vulnerabilidade das plataformas centralizadas de criptomoedas e acelerou o debate sobre uma regulamentação mais rigorosa e sobre a transição para soluções financeiras descentralizadas.
Relevância para os investidores europeus em criptomoedas
Esta decisão sublinha a importância da conformidade e da transparência no setor das criptomoedas, também para os participantes no mercado europeu. Enquanto os processos judiciais nos Estados Unidos criam um precedente para uma aplicação mais rigorosa da lei, esta decisão aponta para os riscos persistentes de investir em plataformas centralizadas sem supervisão suficiente. Os investidores europeus podem concluir daqui que a governação e a conformidade continuam a ser fatores cruciais na avaliação de empresas de criptomoedas.
Bankman-Fried cumpre a sua pena numa prisão federal de baixa segurança perto de Santa Barbara, na Califórnia, com libertação prevista para 2044. São possíveis novos recursos, mas a probabilidade de sucesso parece reduzida. Esta decisão reforça a confiança no controlo jurídico do mercado das criptomoedas e sublinha a necessidade de os executivos de criptomoedas operarem de forma responsável e transparente.