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DOG Mode volta a colocar a governação do Bitcoin sob pressão

O DOG Mode foca-se na política de relay do Bitcoin Core e de outros nós, com implicações para as regras da mempool, Ordinals e o papel dos mining pools.

DOG Mode volta a colocar a governação do Bitcoin sob pressão

Pontos principais

  • O DOG Mode, desenvolvido por Leonidas, incide sobre a política de relay padrão do Bitcoin Core e de outro software de nós, e não sobre as regras de consenso.
  • O cliente condiciona quais as transações válidas que os nós transmitem, deslocando o debate para as políticas da mempool e para a distribuição de transações.
  • A discussão é relevante para os utilizadores europeus porque pode afetar a estimativa de taxas, a capacidade de processamento de transações e o papel de intermediários.

Bitcoin volta a estar no centro de um debate sobre governação, mas desta vez sem qualquer alteração às regras de consenso. O cliente alternativo DOG Mode, criado pelo desenvolvedor Leonidas, concentra-se na política de relay padrão do Bitcoin Core e de outro software de nós. A questão que regressa é antiga e sensível: quem decide, na prática, quais as transações que a rede transmite?

A política de relay como campo de disputa

O DOG Mode não procura alterar as regras de base do Bitcoin. O objetivo passa, sobretudo, por ajustar os critérios que determinam quais as transações válidas que são transmitidas antes de os mineradores as incluírem num bloco. Desta forma, o debate sai da camada do consenso e passa para a periferia do protocolo, onde os operadores de nós e as escolhas de software têm, na prática, um peso significativo.

Leonidas é conhecido como defensor dos Ordinals, a técnica que permite guardar dados na blockchain do Bitcoin sob a forma de imagens ou texto, muitas vezes vista como uma variante de NFT's. Nesse enquadramento, o DOG Mode surge como uma resposta direta a tentativas anteriores de dificultar este tipo de transações, como a Bitcoin Improvement Proposal 110, que pretendia precisamente impor regras mais estritas e foi encarada por críticos como censura. Este tema já tinha escalado anteriormente em torno de BIP-110 e Ordinals, quando desenvolvedores e criadores de Ordinals entraram em confronto sobre quantas transações que não sejam de pagamento o Bitcoin deve permitir.

Porque é que isto é tecnicamente relevante

A discussão toca na forma como as transações de Bitcoin circulam pela rede. Os nós aplicam diferentes políticas da mempool, como taxas mínimas de relay, regras de expulsão e package relay, para decidir quais as transações pendentes que aceitam e transmitem. A funcionalidade Replace-by-Fee também tem aqui um papel importante, porque permite aos remetentes substituir uma transação não confirmada por uma versão com uma taxa mais elevada, caso seja necessária uma confirmação mais rápida.

Na prática atual, serviços especializados ou acordos diretos com mining pools podem dar vantagem a transações grandes ou não padronizadas. O DOG Mode pretende reduzir essa dependência de rotas privadas e fazer com que o processo decorra mais através da própria rede peer-to-peer. Isto não elimina as diferenças entre nós, mas pode ampliá-las ou reduzi-las, consoante o número de operadores de software que adotem a política.

Relevância para os leitores europeus

Para os leitores europeus de criptomoedas, isto importa porque mostra que a governação do Bitcoin não depende apenas de grandes alterações ao protocolo, mas também das regras em torno da distribuição de transações. É precisamente essa camada que pode influenciar a estimativa de taxas, a capacidade de processamento de transações e o papel de intermediários no mercado de block space. O debate pode, por isso, ganhar relevância também fora da esfera dos Ordinals, para todos os que usam Bitcoin ou constroem sobre a infraestrutura à sua volta.


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