Hyundai coloca pagamentos com stablecoins em funcionamento na Avalanche
A Hyundai testa pagamentos de tesouraria em tempo real entre os EUA e o México com USDT e pretende, mais tarde este mês, ligar também subsidiárias europeias. O piloto posiciona a Avalanche e as stablecoins como infraestrutura para liquidação empresarial.

Pontos principais
- A Hyundai colocou em funcionamento na Avalanche um sistema de pagamentos baseado em stablecoins para transações internas e transfronteiriças.
- A primeira transferência de 20.000$ (17.500€) entre os EUA e o México demorou, em média, sete minutos, face às três a quatro horas habituais através das redes bancárias tradicionais.
- A Hyundai planeia, mais tarde este mês, um piloto na Europa para testar transferências em moeda local e custos de conversão cambial.
A Hyundai pôs em funcionamento na Avalanche um sistema baseado em stablecoins para pagamentos internos e transfronteiriços. Segundo as entidades envolvidas, o fabricante automóvel sul-coreano tornou-se assim a primeira grande empresa na Coreia do Sul a colocar publicamente em produção uma estrutura deste tipo.
Este piloto mostra como as stablecoins estão a ganhar espaço para lá da negociação de criptomoedas. As empresas recorrem a esta tecnologia para movimentar fundos entre subsidiárias com maior rapidez e para reduzir custos e tempos de processamento associados às redes bancárias tradicionais. Nos últimos meses, esta tendência tornou-se mais evidente no mercado, nomeadamente através de pagamentos com stablecoins e actividades de tesouraria que têm vindo a ser adoptados por bancos e instituições financeiras.
Transferência em tempo real entre os EUA e o México
De acordo com a Ava Labs, a empresa que desenvolve a Avalanche, não se tratou de um ambiente de teste fechado, mas sim de uma aplicação real de tesouraria. Justin Kim, responsável pela APAC na Ava Labs, afirmou que foram movimentados USD e USDT em tempo real entre a Hyundai Motor nos EUA e o México.
A primeira fase do projecto envolveu uma transferência de 20.000$ (17.500€) da Hyundai Motor America para a Hyundai Motor Mexico. Nesse percurso, os dólares foram convertidos em USDT da Tether e, depois, os fundos voltaram a ser convertidos em dólares. A Hyundai Card, a divisão de cartões de crédito do fabricante, indicou que o processo demorou, em média, sete minutos, em contraste com as três a quatro horas que costumam ser necessárias através das redes bancárias tradicionais.
Expansão para a Europa
A Hyundai quer alargar esta estrutura a mais corredores e moedas. Mais tarde este mês, está previsto um segundo piloto com subsidiárias europeias, que deverá testar transferências em moeda local e os custos de conversão cambial.
Para os leitores da região, este passo na Europa é particularmente relevante, porque mostra que a infraestrutura de stablecoins não está a ser avaliada apenas para negociação ou DeFi, mas também para pagamentos empresariais entre entidades em diferentes países. A colaboração com a Circle e a Visa reforça ainda a ideia de que os intervenientes tradicionais nos pagamentos e as empresas de criptomoedas estão cada vez mais a convergir na mesma cadeia de pagamentos.
Sinal mais amplo para as empresas
A iniciativa da Hyundai insere-se numa tendência mais ampla, na qual grandes empresas recorrem à blockchain para tesouraria e liquidação. Para o mercado de criptomoedas, o mais relevante é que este tipo de pilotos desloca a atenção da especulação para a infraestrutura prática de pagamentos, embora ainda não esteja definido a que velocidade estes sistemas serão implementados em grande escala.
Neste contexto, a Avalanche beneficia do seu posicionamento orientado para empresas, com uma arquitectura que pode oferecer mais personalização do que uma cadeia pública padrão. Isso torna o caso da Hyundai especialmente interessante como exemplo de como a blockchain pode ser integrada em processos empresariais, em vez de permanecer como um experimento isolado.