Polónia detém grupo de SIM-swap após roubo de milhões em criptomoedas
A polícia polaca deteve quatro suspeitos num caso de fraude por SIM-swap, no qual foi obtido acesso a plataformas de troca de criptomoedas através de contas de telecomunicações e de e-mail. O FBI e a HSI apoiaram a investigação.

Pontos principais
- A polícia polaca deteve quatro suspeitos de um grupo que roubava criptomoedas através de ataques de SIM-swap.
- O grupo obteve acesso através de engenharia social, redefiniu palavras-passe e contornou a autenticação de dois fatores.
- Os fundos roubados foram branqueados através de contas bancárias, plataformas de pagamento e carteiras de criptomoedas.
A polícia polaca deteve quatro membros de um alegado grupo criminoso, responsabilizado por roubos em grande escala de criptomoedas através de ataques de SIM-swap. Esta operação, apoiada pelo FBI e pela Homeland Security Investigations, visou uma rede que roubava ativos digitais ao assumir o controlo dos números de telefone das vítimas e, assim, obter acesso às suas plataformas de troca de criptomoedas.
Funcionamento do grupo de SIM-swap
Os suspeitos conseguiram infiltrar-se nos sistemas informáticos de empresas que colaboram com prestadores de telecomunicações. Em vez de força bruta, recorreram à engenharia social para obter acesso às contas de e-mail de funcionários, o que lhes permitiu executar ataques de SIM-swap. Ao assumirem o controlo das mensagens SMS e do e-mail, conseguiram redefinir palavras-passe e contornar a autenticação de dois fatores, esvaziando depois as carteiras digitais das vítimas.
Este método explora uma vulnerabilidade conhecida na segurança das redes de telecomunicações, onde muitas plataformas de criptomoedas continuam a depender de opções de recuperação de conta baseadas no número de telefone. Em 2021, o FBI já tinha reportado mais de 68 milhões de dólares em perdas nos EUA devido a ataques de SIM-swap contra contas bancárias e de criptomoedas.
Branqueamento de capitais e cooperação internacional
Os fundos roubados foram rapidamente movimentados através de uma extensa rede financeira que incluía contas bancárias pessoais na Polónia e no estrangeiro, plataformas de pagamento e carteiras de criptomoedas multimoeda. Segundo as autoridades, o total dos montantes branqueados ascende a dezenas de milhões de zlotys polacos, o que corresponde a vários milhões de dólares.
O caso é conduzido pelo Ministério Público Regional de Cracóvia e destaca a importância da cooperação internacional no combate à criminalidade transfronteiriça relacionada com criptomoedas. O envolvimento do FBI e da HSI aponta para vítimas ou infraestrutura fora da Polónia. Isto está em linha com anteriores detenções em grande escala de criminosos de SIM-swap por autoridades norte-americanas.
Relevância para os utilizadores europeus de criptomoedas
O caso sublinha a vulnerabilidade persistente da segurança das telecomunicações e o risco que os ataques de SIM-swap representam para os investidores em criptomoedas na Europa. Apesar dos avanços tecnológicos, a utilização da segurança baseada no número de telefone continua a ser um elo fraco, o que pode levar a danos financeiros significativos. Os utilizadores e as plataformas europeias enfrentam, por isso, a necessidade de implementar medidas de segurança mais rigorosas e de permanecerem atentos a estas formas de cibercriminalidade.