Better e Coinbase permitem reutilizar bitcoin como garantia hipotecária
A estrutura liga uma hipoteca da Fannie Mae a um empréstimo para a entrada garantido por bitcoin através da Coinbase Prime. A reutilização da garantia volta a levantar questões sobre riscos e segregação após FTX, Celsius e BlockFi.

Pontos principais
- A Better Mortgage e a Coinbase oferecem uma hipoteca garantida por bitcoin em que a garantia em BTC pode ser reutilizada.
- O comprador recebe dois empréstimos: uma hipoteca normal para a casa e um empréstimo separado para a entrada, garantido por bitcoin.
- A garantia em bitcoin permanece bloqueada até a hipoteca convencional ser amortizada ou refinanciada, mesmo que o empréstimo da entrada já tenha sido reembolsado.
A Better Mortgage e a Coinbase tornaram amplamente disponível uma nova hipoteca garantida por bitcoin em que a garantia em BTC empenhada pode ser reutilizada. Para os compradores de casa, isto significa que o seu bitcoin permanece bloqueado até a hipoteca normal ser amortizada ou refinanciada, mesmo que o empréstimo separado para a entrada já tenha sido reembolsado mais cedo.
Como funciona o empréstimo
No momento da contratação, o comprador recebe dois empréstimos. O primeiro é uma hipoteca padrão que cumpre os requisitos da Fannie Mae e é garantida pela casa. O segundo empréstimo financia a entrada e é garantido pelo bitcoin do cliente, além de uma segunda hipoteca sobre a mesma casa.
O empréstimo garantido por bitcoin começa com uma relação de garantia de 250%. No exemplo da Better, um comprador de uma casa de $500.000 (€430.200) tem, assim, de empenhar $250.000 (€215.100) em bitcoin para financiar uma entrada de $100.000 (€86.000). Ambos os empréstimos são concedidos pela Better e cobrados através de um único pagamento mensal. No momento da contratação, o bitcoin é transferido da conta Coinbase do cliente para a conta de custódia da Better na Coinbase Prime.
A Better afirma que pode reutilizar a garantia em bitcoin empenhada, desde que mantenha disponível um montante equivalente para devolver. A Coinbase atua apenas como custodiante e parceira tecnológica e não decide sobre concessão de crédito ou liquidação.
O que isto significa para os clientes
A estrutura não conta o bitcoin como rendimento para a primeira hipoteca. Os candidatos continuam a ter de cumprir os requisitos normais de rendimento, pontuação de crédito e nível de endividamento. A Better afirma que o produto resolve apenas o problema de liquidez para a entrada.
Também é relevante o facto de os clientes não poderem recuperar o seu bitcoin antecipadamente apenas por amortizarem o segundo empréstimo. A garantia permanece bloqueada até a hipoteca convencional estar totalmente amortizada ou refinanciada. Numa venda da casa, o empréstimo da entrada tem de ser reembolsado primeiro antes de o bitcoin ser libertado.
Porque é que isto chama a atenção
A estrutura enquadra-se num debate mais amplo sobre a reutilização de garantia em criptoativos. Após a queda da FTX e os problemas na Celsius e na BlockFi, este tema tornou-se ainda mais sensível, porque nessa altura os clientes muitas vezes só perceberam tardiamente quão vulnerável pode ser a reutilização de fundos. Neste caso, a Better afirma que atua de acordo com as regras em vigor, mas a empresa não explicou exatamente como a garantia fica juridicamente segregada se a própria empresa ou um parceiro de financiamento enfrentar problemas.
Para os seguidores europeus de criptomoedas, isto é sobretudo relevante porque mostra até que ponto os criptoativos estão a infiltrar-se cada vez mais nos produtos de crédito tradicionais. Ao mesmo tempo, a estrutura deixa claro que deter ativos numa exchange de criptomoedas ou junto de um custodiante não é o mesmo que ter propriedade diretamente disponível, sobretudo quando essa garantia é novamente utilizada.