Adiamento da votação atrasa a tentativa de Adam Back de criar a segunda maior tesouraria de Bitcoin
O negócio SPAC com a Cantor Equity Partners passa para 2 de julho, enquanto a BSTR aponta para uma cotação na Nasdaq com 30.021 BTC. O adiamento surge num contexto de pressão sobre as tesourarias de Bitcoin e de avaliações mais baixas.

Pontos principais
- A Cantor Equity Partners I adiou para 2 de julho a votação dos acionistas sobre a fusão com a Bitcoin Standard Treasury Company.
- O adiamento atrasa a cotação planeada por Adam Back na Nasdaq com 30.021 Bitcoin.
- A BSTR pretende, após financiamento adicional, crescer para cerca de 53.500 Bitcoin e tornar-se assim a segunda maior tesouraria pública de Bitcoin.
A Cantor Equity Partners I adiou para 2 de julho a votação dos acionistas sobre a fusão com a Bitcoin Standard Treasury Company (BSTR). Este adiamento atrasa a entrada em bolsa da empresa de Adam Back na Nasdaq, onde iria cotar 30.021 Bitcoin (BTC).
Adiamento na fusão e impacto nas tesourarias de Bitcoin
A fusão entre a BSTR e a Cantor Equity Partners, uma SPAC patrocinada por uma afiliada da Cantor Fitzgerald, estava inicialmente prevista para votação a 26 de junho. O atraso está relacionado com colocações privadas anteriormente divulgadas. O negócio foi anunciado em julho de 2025, com conclusão prevista para o quarto trimestre desse ano.
Este adiamento surge numa altura em que as empresas com tesourarias de Bitcoin enfrentam avaliações em queda. Muitas destas empresas são negociadas perto ou mesmo abaixo do valor das suas participações em Bitcoin, o que dificulta a captação de novo capital e dilui as ações existentes. Isto é visível na evolução recente do preço do Bitcoin e das ações de empresas semelhantes, como a MicroStrategy, que, apesar de deter a maior posição em BTC, com 847.363 moedas, viu as ações abaixo dos $100 (€88).
A ambição da BSTR e a sua posição financeira
A BSTR pretende tornar-se a quinta maior tesouraria pública de Bitcoin, com uma carteira inicial de 30.021 BTC. Os fundadores contribuem com 25.000 moedas, enquanto 5.021 BTC resultam de um financiamento em espécie, uma estreia para uma SPAC norte-americana. Adam Back, cofundador da Blockstream e criador do Hashcash, procura, com uma angariação de capital de $1,5 mil milhões (€1,3 mil milhões), adquirir até 23.500 BTC adicionais. Com isso, a BSTR passaria para cerca de 53.500 BTC, ficando em segundo lugar atrás da MicroStrategy.
A Cantor Fitzgerald já criou, através de uma SPAC, a Twenty One Capital, uma tesouraria apoiada pela Tether com 43.514 BTC. A BSTR quer ultrapassar esta e outras grandes tesourarias para conquistar um lugar no top três. A posição final dependerá da votação de 2 de julho e do número de acionistas que entregarem as suas ações antes do prazo de 30 de junho. Entregas em massa podem limitar o capital disponível, fazendo com que a BSTR compre menos Bitcoin.
Relevância para os investidores europeus em criptomoedas
Para os investidores europeus, o adiamento da votação da BSTR é relevante porque influencia a dinâmica das tesourarias públicas de Bitcoin, que cada vez mais funcionam como instrumentos de investimento dentro de mercados regulados. Os desenvolvimentos em torno da BSTR e de SPACs semelhantes podem dar uma visão sobre a volatilidade e as possibilidades de financiamento destas empresas de criptomoedas, o que é importante para avaliar riscos e oportunidades no mercado das criptomoedas em geral.
A pressão sobre estas ações de tesouraria enquadra-se num mercado mais amplo em que também estão em discussão as alocações institucionais, como a alocação de 1-2% em Bitcoin proposta pela BlackRock.