Japão reforma a regulação das criptomoedas e passa a tratá-las como investimentos financeiros
O Japão transfere as criptomoedas para o regime dos investimentos financeiros, com regras mais rigorosas, impostos mais baixos e espaço para novos produtos. O que significa isto para os investidores e para o mercado?

Pontos principais
- O Japão transfere a regulação das criptomoedas da Payment Services Act para a Financial Instruments and Exchange Act.
- As novas regras trazem regras de negociação mais rigorosas, impostos mais baixos e espaço para ETFs de criptomoedas.
- As empresas de criptomoedas não autorizadas arriscam sanções mais pesadas, enquanto os investidores recebem proteção adicional.
O Japão está prestes a dar um passo importante na regulação das criptomoedas, passando a tratá-las como investimentos financeiros em vez de apenas como meio de pagamento. O parlamento aprovou um projeto de lei que transfere a regulação das criptomoedas da Payment Services Act para a Financial Instruments and Exchange Act. Esta alteração deverá entrar em vigor no próximo ano e traz regras de negociação mais rigorosas e impostos mais baixos, ao mesmo tempo que abre espaço para novos produtos, como os ETFs de criptomoedas.
Novas regras e proteção dos investidores
Segundo a Japanse Financial Services Agency (FSA), esta mudança reflete o papel crescente das criptomoedas como meio de investimento no retalho. Atualmente, existem mais de 14 milhões de contas de criptomoedas abertas no Japão, das quais cerca de 70% são detidas por pessoas com um rendimento anual inferior a 7 milhões de ienes. A nova legislação introduz uma proibição de negociação com informação privilegiada no mercado das criptomoedas, semelhante às regras aplicáveis às ações. Além disso, os projetos passam a ser obrigados a ser transparentes quanto à sua tecnologia, à oferta de tokens e à sua situação financeira. Sem auditorias independentes, aplica-se um limite de investimento de 2 milhões de ienes para investidores particulares.
Reforço da aplicação da lei e estímulo à inovação
O governo também está a endurecer as sanções para atividades ilegais com criptomoedas. As empresas de criptomoedas não autorizadas arriscam agora até dez anos de prisão e coimas até 10 milhões de ienes. O regulador passa ainda a dispor de competências alargadas para conduzir investigações criminais e congelar fundos. Estas medidas fazem parte de uma abordagem mais ampla para proteger os investidores e, ao mesmo tempo, promover a inovação no mercado das criptomoedas. Com isto, o Japão posiciona-se como líder mundial na regulação das criptomoedas, procurando um equilíbrio entre o crescimento do mercado e a segurança.
Relevância para os investidores europeus
Estes desenvolvimentos no Japão também podem ser interessantes para os investidores europeus em criptomoedas. A mudança para um quadro regulatório que trata as criptomoedas como instrumentos financeiros alinha-se com os debates na Europa sobre a regulação dos ativos digitais. O exemplo do Japão mostra como regras mais rigorosas e transparência podem coexistir com o estímulo a novos produtos, como os ETFs de criptomoedas, o que poderá também influenciar a evolução dos mercados e da regulamentação na Europa.