Revolut vai retirar USDT da oferta na Europa após a opção da Tether pelo regulamento MiCA
A Revolut permite que os clientes da União Europeia reduzam a sua exposição ao USDT até ao final de agosto; depois disso, a oferta passa a centrar-se em stablecoins em conformidade com o regulamento MiCA, como a USDC.

Pontos principais
- A Revolut deixa de disponibilizar USDT a 31 de agosto para clientes da União Europeia.
- Os clientes ainda podem comprar USDT até 6 de julho; os novos depósitos serão suspensos a 30 de julho.
- A Tether não solicita autorização ao abrigo do regulamento MiCA, o que faz com que o USDT desapareça de cada vez mais plataformas europeias reguladas.
A Revolut vai retirar o USDT da sua oferta para clientes da União Europeia a 31 de agosto. A decisão surge na sequência de a Tether ter optado por não pedir autorização ao abrigo do regulamento MiCA, o que tem vindo a afastar a maior stablecoin do mercado da oferta europeia regulada.
Redução faseada
A exchange de criptomoedas e fintech ainda permite a compra de USDT até 6 de julho. A partir daí, o processo passa a ser faseado: os novos depósitos terminam a 30 de julho e, até 31 de agosto, os utilizadores podem vender o token ou transferi-lo para uma carteira de criptomoedas externa. O saldo que permanecer depois dessa data será convertido automaticamente em moeda fiduciária à taxa de câmbio em vigor nesse momento.
A Revolut confirmou a alteração a 3 de julho através do X e encaminhou os utilizadores para uma lista de opções licenciadas. A empresa está avaliada em 75 mil milhões de dólares (65,5 mil milhões de euros) e serve mais de 75 milhões de clientes, o que torna esta decisão particularmente relevante para os investidores particulares europeus.
O regulamento MiCA coloca as stablecoins sob pressão
O regulamento MiCA passou a aplicar-se na íntegra a 1 de julho e a lista europeia de registo de prestadores licenciados já foi alargada para 280 entidades. Para os grandes emissores de stablecoins, isto traduz-se, na prática, em requisitos mais exigentes, incluindo a obrigação de manter uma parte significativa das reservas sob a forma de depósitos bancários. A Tether já afirmou anteriormente que essa estrutura pode aumentar os riscos de liquidez, segundo a empresa.
As regras europeias exigem também uma licença de moeda eletrónica de um Estado-Membro da UE, autorização que a Tether não pediu. É por isso que o USDT já desapareceu de várias plataformas europeias reguladas, enquanto os concorrentes que operam ao abrigo do regulamento MiCA reforçam a sua posição. A mudança também se nota entre as entidades que apostam no regulamento MiCA: USDC ganha, através de canais regulados, um acesso institucional mais amplo.
Porque é que isto afeta a negociação na Europa
Para os utilizadores europeus de criptomoedas, esta decisão é mais do que uma alteração técnica numa aplicação. O USDT continua a ser a maior stablecoin do mundo, mas na Europa o mercado está agora claramente a deslocar-se para alternativas como a USDC, que tem autorização ao abrigo do regulamento MiCA. Isto pode ser relevante para quem utiliza stablecoins para negociação, transferências ou self-custody, porque a liquidez disponível e a oferta por plataforma podem divergir mais rapidamente.
A Tether mantém-se dominante a nível global, com uma capitalização de mercado de cerca de 184 mil milhões de dólares (161 mil milhões de euros) e um volume diário de negociação de 41 mil milhões de dólares (35,8 mil milhões de euros). Ainda assim, a redução na Europa mostra que escala e acesso regulado nem sempre andam de mãos dadas, sobretudo agora que os reguladores estão a delimitar de forma mais rigorosa o mercado das stablecoins.